segunda-feira, 30 de maio de 2016

VIVEMOS UMA EPIDEMIA DE INSUFICIÊNCIA CARDÍACA - UMA DOENÇA ARDILOSA E FATAL


A insuficiência cardíaca não é uma simples doença, trata-se, na verdade, de uma síndrome clínica, cada vez mais frequente, que representa a via final comum de diversas doenças do coração que alteram sua capacidade funcional. 

Em geral, tem evolução progressiva e quase sempre fatal, independente de sua causa básica. 

Apesar dos progressos científicos, a prevalência da doença vem aumentando nas últimas décadas em decorrência do incremento na expectativa de vida da população e da maior efetividade dos novos medicamentos e dispositivos cirúrgicos para seu tratamento, prolongando a vida. 
Segundo dados do Datasus, há cerca de 500 mil internações por insuficiência cardíaca anualmente, o que corresponde a mais de 30% das internações e 33% dos gastos com doenças do aparelho circulatório, tornando-se a primeira causa de internação de pacientes com mais de 65 anos no SUS.

Ocorrem cerca de 30 mil mortes anualmente. Essa mortalidade é equivalente a do câncer e supera a da Aids. 

Estima-se que em 2025 o Brasil possua a sexta maior população de idosos do mundo, aproximadamente 30 milhões de pessoas ou 15% de sua população total, e que a insuficiência cardíaca será a primeira causa de morte por doença cardiovascular no Brasil e no mundo. 

O impacto médico-social e econômico da insuficiência cardíaca é enorme, pois compromete significativamente a sobrevida e a qualidade de vida dos doentes, cursando com internações frequentes, sendo umas das principais causas de atendimento médico de urgência e ambulatorial, além de ser responsável por elevados índices de absenteísmo e aposentadoria precoces. O fator socioeconômico é tido como crucial na evolução da doença e a baixa renda familiar é um preditor de reinternação. 

Os custos com internação hospitalar são responsáveis por 70% dos recursos gastos com o manuseio da insuficiência cardíaca. 

Estes dados não justificariam a criação e desenvolvimento de políticas públicas de saúde, direcionadas especificamente a prevenção e tratamento extra-hospitalar desta grave afecção? 

A Organização Mundial de Saúde definiu que a insuficiência cardíaca é uma das prioridades entre as enfermidades crônicas que necessitam de atenção dos setores de saúde em todo o mundo. 

Ainda há poucos estudos nacionais para dimensionamento do impacto sócioeconômico da insuficiência cardíaca. 
Há necessidade de se implementar metodologias econômicas para estimar o custo, ao invés de simplesmente mensurar as despesas incorridas com as medidas terapêuticas. 

A estimativa do impacto socioeconômico desta síndrome fornecerá aos formuladores de políticas de saúde maior embasamento para tomada de decisões, frente a um cenário de escassez de recursos e necessidade de priorização em sua alocação.



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